quarta-feira, 15 de setembro de 2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
O VIZINHO DE BURKA - Slavoj Žižek
O VIZINHO DE BURKA
Slavoj Žižek
Tradução: Rodrigo Nunes Lopes Pereira
Em janeiro de 2010, Jean-François Copé, o líder no parlamento da Union Pour un Mouviment Populaire, o partido majoritário francês, propôs um projeto de lei que proibe o véu de corpo inteiro nas ruas francesas e em todos os outros lugares públicos. Este anúncio veio depois de seis meses de debate angustiante sobre a burka e seu equivalente árabe, o niqab, que cobre o rosto da mulher, exceto por uma pequena fenda para os olhos. Todos os principais partidos políticos expressaram sua rejeição à burka: o principal partido de oposição, o Parti Socialiste, disse que é “totalmente contrário à burka”, que equivale a uma “prisão para a mulher”. Os desacordos são de natureza puramente tática: embora o presidente Nicolas Sarkozy se oponha ao total banimento da burka como contraproducente, ele conclamou um “debate sobre a identidade nacional” em outubro de 2009, alegando que a burka é “conta a cultura francesa”. A lei multa em até 750 euros qualquer pessoa que aparecer em público “com seu rosto inteiramente ocultado”; isenções permitiriam o uso de mascaras em “ocasiões festivas, tradicionais”, como carnavais. Rígidas punições seriam estabelecidas para homens que “forçassem” suas esposas ou filhas a usar o véu de corpo inteiro. A ideia subjacente é que a burka ou niqab são contrários às tradições francesas de liberdade e às leis sobre os direitos das mulheres, ou, para citar Copé: “Nós podemos medir a modernidade de uma sociedade pela forma como trata e respeita as mulheres”. A nova legislação é, assim, destinada a proteger a dignidade e segurança das mulheres. Além disso, como disse Sarkozy, os véus “não são bem-vindos” porque, em um país secular como a França, eles intimidam e alienam os não-muçulmanos... não se pode deixar de notar como o supostamente universalista ataque à burka em nome dos direitos humanos e dignidade termina como uma defesa do modo de vida particular francês.
Essa lei, claro, deu origem a muitas críticas pragmáticas – o medo é que, se ela for implementada, irá aumentar a opressão das mulheres muçulmanas: elas simplesmente serão impedidas de sair de casa e serão ainda mais cortadas da sociedade, expostas ao tratamento cruel dos casamentos forçados, etc. Além disso, a multa irá exacerbar a questão da pobreza e do desemprego: ela irá punir as mesmas mulheres que provavelmente têm menos controle sobre seu próprio dinheiro. O problema é, contudo, mais fundamental – o que torna todo esse debate sintomático é, primeiro, o status marginal do problema: a nação inteira fala sobre isso, enquanto que o número total de mulheres que vestem ambos os tipos de véu de corpo inteiro na França está em torno de 2000, de um total de mulheres adultas muçulmanas na população francesa em torno de 1.500.000. (E, a propósito, a maioria das mulheres que veste o véu de corpo inteiro tem menos de 30 anos e parte substancial delas são mulheres francesas que se converteram). O próximo aspecto curioso é a ambiguidade da crítica à burka: ela se movimenta em dois níveis. Primeiro ela é apresentada como uma defesa da liberdade e dignidade da mulher muçulmana oprimida – não se pode aceitar que em uma França secular um grupo de mulheres tenha que viver uma vida escondida, isolada do espaço público, subordinadas à brutal autoridade patriarcal, etc. Não obstante, em geral o argumento se desloca em seguida para as ansiedades do próprio povo francês não muçulmano: os rostos cobertos pela burka não se ajustam às coordenadas da identidade e cultura francesas, eles “intimidam e alienam os não muçulmanos”... Algumas mulheres francesas até usam o argumento de que elas vivenciam o fato de alguém usar uma burka como sua própria humilhação, como uma brutal exclusão, rejeição do laço social.
Isso nos conduz ao verdadeiro enigma: por que o encontro com um rosto coberto por uma burka desencadeia tal ansiedade? Então um rosto coberto pela burka não é mais o rosto levinasiano, a Alteridade a partir da qual o apelo ético incondicional emana? Mas, e se o caso for o oposto? De uma perspectiva freudiana, o rosto é a máscara derradeira que esconde o horror do Próximo-Coisa: a face é o que faz do Próximo le semblable, um semelhante com quem podemos nos identificar e simpatizar. (Sem mencionar o fato de que hoje muitos rostos são cirurgicamente modificados e assim desprovidos dos últimos vestígios de autenticidade natural). Este é, então, o motivo pelo qual um rosto coberto cause tal ansiedade: porque ele nos confronta diretamente com o abismo do Outro-Coisa, com o Próximo em sua inquietante dimensão. O próprio encobrimento da face oblitera um escudo protetor, de modo que o Outro-Coisa nos olha diretamente (lembremos que a burka tem uma estreita abertura para os olhos: nós não vemos os olhos, mas sabemos que há uma mirada lá). Alphonse Allais apresentou sua própria versão da dança dos sete véus de Salomé: quando Salomé está completamente nua, Herodes grita “Continue! Vá!”, esperando ela tirasse também o véu de sua pele. Nós poderíamos imaginar algo semelhante com a burka: o oposto de uma mulher tirando sua burka e revelando seu rosto natural. E se dermos um passo além e imaginarmos uma mulher “tirando” a pele de seu próprio rosto, de modo que o que nós víssemos sob sua face fosse uma superfície anônima lisa e escura como uma burka com uma pequena abertura para o olhar? “Ama o teu próximo!” significa, da maneira mais radical, precisamente o impossível=real amor por esse sujeito dessubjetivado, por essa monstruosa mancha escura cortada por uma fenda/olhar... Este é o motivo de que, no tratamento psicanalítico, o paciente não fique face a face com o analista: ambos olham para um terceiro ponto, uma vez que é apenas esta suspenção da face que abre o espaço da dimensão apropriada do Próximo. E reside aí também o limite do conhecido tópico crítico-ideológico da sociedade do controle total onde somos o tempo todo monitorados e gravados – o que escapa ao olho da câmera não é algum segredo íntimo, mas o próprio olhar, o objeto-olhar como a ruptura/mancha no Outro.
Fonte do texto original: http://www.lacan.com/symptom11/?p=69
segunda-feira, 10 de maio de 2010
sábado, 8 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
ENTREVISTA EXCLUSIVA: LUIS CARLOS BARBIERI
LUIS CARLOS BARBIERI Ganhou notoriedade com seu trabalho no Duo Barbieri-Schneiter, com o qual realizou, por 14 anos, concertos nas principais Salas do Brasil, além da Argentina, México, Itália, Áustria, Suíça e Portugal. Com o Duo gravou 3 CDs no Santuário Ecológico do Caraça (MG) lançados pela Rob Digital. A carreira do Duo foi interrompida com a morte prematura de Fred Schneiter, em 2001. Gravou, em 2002, o CD “Barbieri& Schneiter solo”, totalmente voltado para suas composições e as de Fred Schneiter. Participou como solista da trilha sonora do filme “O Outro lado da Rua”, de Marcos Bernstein (2004). Em 2006 gravou seu segundo CD solo intitulado “Violão Urbano” dedicado especialmente às obras de compositores brasileiros. Em 2003 sua música “Prelúdio e Dança nº 1” foi editada pela Edizioni Carrara (Itália) e lançada na Europa. Coordenou vários projetos musicais, tais como: “Classique 91” (Aliança Francesa/RJ), “O Violão na Sala” / 92, 93 e 94 (Sala Cecília Meireles/RJ), “Violonistas Compositores” / 95 (Espaço Cultural Sérgio Porto/RJ) e o “I Circuito Violão Real”/ 2004 (Cidades Históricas entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais). Coordena, desde 2004, a Mostra e Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter, que está em sua 5º edição e é considerado um dos mais importantes Concursos de Violão do Brasil. Foi Diretor da AV-Rio (Associação de Violão do Rio) de 2001 a 2007, ano em que atuou como Presidente da Associação. Foi Professor Substituto do Curso de Graduação em Violão da Escola de Música da UFRJ de 2006 a 2007. Como destaques internacionais Barbieri realizou concertos no “Festival de Guitare de Lausanne” (Suíça/2002), nas “Jornadas Internacionales de debate sobre la Guitarra”, em Valencia (Espanha/2003), na Eglise de Camélas, Perpignan (França/2003), no“3º Festival Internacional Eduardo Fabini”, em Montevideo (Uruguai/2003), no Encuentro Internacional de Guitarras Homenage a Agustín Barrios, em Asuncion e San Juan Bautista (Paraguay/2006) e no 8º Festival Internacional Eduardo Fabini (Uruguai/2007) onde atuou como concertista, palestrante, professor e membro do júri. Em dezembro de 2005 realizou uma série de concertos na Espanha, Portugal e França. Recentemente apresentou-se no XX FESTIVAL INTERNACIONAL DE GUITARRA DO ICPNA, em Lima (Perú)*.
ENTREVISTA
- Conte um pouco sobre como foram seus primeiros contatos com o violão. Com que idade você começou a estudar?
R: COMECEI A TOCAR VIOLÃO AOS 11 ANOS DE IDADE. APRENDI COM MEU IRMÃO QUE APRENDIA COM UM PROFESSOR DE FLAUTA QUE NÃO SABIA MUITO DE VIOLÃO.
DEPOIS, AOS 15 ANOS TIVE MEU PRIMEIRO PROFESSOR DE VIOLÃO: ARY DOMINGUES QUE ENSINOU A SERIEDADE DE ESTUDO E ME INDICOU, DEPOIS DE QUASE DOIS ANOS, O SÉRGIO ASSAD, COM QUEM ESTUDEI 5 ANOS, DOS 17 AOS 22 ANOS.
- Quem te influenciava no início?
R: OUVIA MUITO O QUE MEU IRMÃO OUVIA: MILTON NASCIMENTO (E O VIOLÃO DO TONINHO HORTA ME ENCANTAVA), CHICO BUARQUE, CAETANO VELOSO, GILBERTO GIL E ETC. POR SORTE MEU IRMÃO SEMPRE TEVE MUITO BOM GOSTO MUSICAL E EU IA NO EMBALO.
- Em que momento de sua vida você conheceu Fred Schneiter? Como surgiu o duo Barbieri-Schneiter?
R: NOS CONHECEMOS POR UM AMIGO EM COMUM, O FRANCISCO DIAS DA CRUZ, QUE TAMBÉM ERA VIOLONISTA.
DEPOIS TOCAMOS JUNTOS NA ORQUESTRA DE VIOLÕES DO TURÍBIO, COM QUEM EU ESTUDAVA NA UFRJ E O FRED NA UNIRIO, E NO QUARTETO CARIOCA DE VIOLÕES. ISSO LÁ POR 1985 1986.
O DUO NASCEU EM 1987 QUANDO DECIDIMOS NOS DEDICAR SOMENTE AO DUO, PARANDO COM OS CONCERTOS SOLO E ESTUDANDO DE SEGUNDA A SEGUNDA. AFINAL ESTAVAMOS COM 25 E 29 ANOS E NÃO TINHAMOS MAIS TEMPO A PERDER.
- Em relação à música instrumental erudita, aconteceram mudanças importantes nos últimos anos? E em relação à música de concerto pra violão?
R: MUDANÇAS SEMPRE ACONTECEM. A MÚSICA ERUDITA, POR MAIS RESISTENTE QUE SEJA A MUDANÇAS, QUEIRA OU NÃO RECEBE INFLUENCIAS DA NOVA GERAÇÃO QUE VEM NATURALMENTE OCUPAR OS ESPAÇOS E COMEÇAR A DEIXAR SUA MARCA E SUAS CARACTERÍSTICAS.
ACHO QUE HOJE TEMOS MAIS ABERTURA E UM CANAL MAIS ABERTO COM A MÚSICA POPULAR.
NÃO GOSTO DO "POPULISMO" NA MÚSICA DE CONCERTO, COMO POR EXEMPLO USAR UMA ORQUESTRA PARA TOCAR SAMBA SÓ PARA SE APROXIMAR DO PÚBLICO, MAS ACHO QUE AS ORQUESTRAS ESTÃO MAIS PRÓXIMAS DO PÚBLICO EM GERAL. ESTE É UM PROCESSO LENTO E QUE, PELO MENOS, JÁ COMEÇOU A SE MOVIMENTAR.
O VIOLÃO É QUE, SE JÁ ESTAVA EM ALTA, AGORA SUPERA EM MUITO QUALQUER BOA EXPECTATIVA.
CADA VEZ MAIS TEMOS GRANDES NOMES EM VÁRIAS VERTENTES, DESDE O CLÁSSICO, ATÉ O VIOLÃO POPULAR.
É IMPRESSIONANTE O NÚMERO DE JOVENS VIOLONISTAS E A QUALIDADE DO TRABALHO DELES.
A MINHA GERAÇÃO CONSEGUIU CONSOLIDAR SEU TRABALHO E OCUPOU AINDA MAIS FRENTES QUE AS GERAÇÕES PASSADAS.
A PRÓXIMA GERAÇÃO, SEM DÚVIDAS VAI TAMBÉM SUPERAR ESTA MARCA.
CADA VEZ MAIS TEMOS MAIS PROFESSORES DE VIOLÃO EM MAIS UNIVERSIDADES.
EM SE TRATANDO DE DUO, TEMOS HOJE O SIQUEIRA LIMA, O BRAZILIAN GUITAR DUO, QUE JÁ SÃO REALIDADES INTERNACIONAIS E O JOVEM DUO MAIA, AQUI DO RIO.
- Além da apresentação e produção do programa "Violões em foco" na rádio MEC às quartas, 22h, conte o que mais tem feito.
R:ESTE ANO DECIDI QUE IRIA LANÇAR O CD DE MÚSICAS MINHAS E DO FRED QUE ESTAVA ENGAVETADO HÁ 8 ANOS. VAIS SER LANÇADO EM MAIO. EM OUTUBRO LANÇO OUTRO CD, QUE GRAVEI HÁ 5 ANOS, COM MÚSICAS MINHAS E DO FRED, ALÉM DE MARCO PEREIRA, EDINO KRIEGER E GAROTO. EM OUTUBRO, GRAVO O TERCEIRO, COM MIGNONE, RADAMES, MARCOS LOPES, MINHAS MÚSICAS E AS DO FRED.
A MOSTRA FRED SCHNEITER ACONTECE EM OUTUBRO, MAS PASSO O ANO FAZENDO CONTATOS E PREPARANDO TUDO, UMA VEZ QUE LEVA TEMPO PARA CONSEGUIR DINHEIRO PARA TUDO.
MENSALMENTE TEM O PROJETO CAFÉ CONCERTO, EM BENTO RIBEIRO, QUE PROVAVELMENTE É A PRIMEIRA SÉRIE REGULAR DE MÚSICA CLÁSSICA DO BAIRRO. ESTE ANO A PROPOSTA É AMPLIAR A PROGRAMAÇÃO PARA OUTROS INSTRUMENTOS E A ABERTURA FOI REALIZADA PELO DUO SANTORO DE VIOLONCELOS.
A SÉRIE ACONTECE NO CENTRO ESPÍRITA ISRAELS BARCELOS, ONDE HÁ 3 ANOS ESTUDO AS OBRAS BÁSICAS DO ESPIRITISMO ESCRITAS POR ALAN KARDEC.
ANO PASSADO COMECEI A DAR AULAS NA ESCOLA ALEMÃ CORCOVADO, NO HUMAITÁ, E COMECEI ENTÃO A ESTUDAR ALEMÃO O QUE ESTÁ ME ANIMANDO MUITO.
ESTE ANO COMECEI, FINALMENTE, MEU MESTRADO EM MUSICOLOGIA NA UFRJ, ONDE SOU ORIENTADO PELA VIOLONISTA MÁRCIA TABORDA. O TEMA, NATURALMENTE, TEM A VER COM O FRED E É A CATALOGAÇÃO DE SUA OBRA.
- Conte um pouco sobre o seu cd solo.
R: O CD FOI GRAVADO EM 2002 E TEM COMO REPERTÓRIO MINHAS MÚSICAS E AS DO FRED, DAI O NOME "BARBIERI & SCHNEITER - SOLO".
TINHA COMO PROJETO PARALELO AO DUO GRAVAR UM CD COM NOSSAS OBRAS PARA VIOLÃO SOLO.
QUANDO O FRED FALECEU ESTE PASSOU A SER MEU PROJETO PRINCIPAL.
POR ALGUM TEMPO MEUS PROGRAMAS DE CONCERTO SOMENTE TINHAM NOSSAS MÚSICAS.
O LANÇAMENTO SERÁ DIA 29 DE MAIO, ÀS 17 HORAS, NO CENTRO CULTURAL JUSTIÇA FEDERAL, NA AV. RIO BANCO, NO RIO.
A SALA É BELÍSSIMA E TEM UMA DAS MELHORES ACÚSTICAS DO BRASIL.
É PERFEITA PRA VIOLÃO.
APAREÇAM PARA CONFERIR.
*Texto de apresentação retirado de http://www.myspace.com/luiscbarbieri
*Texto de apresentação retirado de http://www.myspace.com/luiscbarbieri
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